Palavras soltas...

(...) "Tenho aprendido muitas coisas nos últimos tempos. Uma delas é que jamais podemos deixar para amanhã um gesto de carinho, um sorriso verdadeiro, uma declaração de amor."

Confira a crônica completa clicando aqui.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sorrisos...


(...)


Mais um dia de trabalho, pensou consigo.
Abriu os olhos lentamente e viu que não estava em sua casa. A cama era aconchegante, mas não era a sua. Notou um perfume diferente no travesseiro que tampava o seu rosto. Suave.
Penetrante.
Diferente.
Era bom.
Olhou para o lado e sorriu.
Era ela.
A menina-mulher. A garota que, se lhe perguntassem o nome há dois dias atrás, ele, talvez, nem se lembraria. Mas o nome dela, o nome disso, o nome desse momento, era o que menos importava, naquele instante.
Agora, ela estava deitada, dormindo, ao seu lado.
Ela “sempre esteve ali”. Foi o que, com a voz serena, suave, envolvente e decidida ela dissera ao final da última noite, antes de os dois pegarem no sono.
Eram vizinhos. Poucos metros, alguns passos, os separavam. Cruzavam-se quase todos os dias no ônibus, na hora de trabalhar e no momento em que voltavam da aula. Quase sempre, um “oi” e conversa encerrada.
Tudo mudou.
Tudo muda.
Com um beijo carinhoso no pescoço, ele a acordou.
Era hora de partir.
Ela sorriu. Tímida. Esticou o corpo. Enquanto isso, seus cabelos cacheados e que molduravam seu rosto caiam em uma lentidão quase que proposital sobre os olhos. Estendendo a mão, ele retirou os fios com cuidado e retribuiu, com sinceridade, àquele sorriso.
Ele não sabia como, mas ela sorria com os olhos. Mas isso é uma outra história.
Levantando-se e indo até o banheiro, ele olhou para o espelho... não havia mais olheiras. Seu rosto não estava marcado pelo cansaço, apesar de ter dormido tão pouco na última noite... As coisas, a vida, aos poucos, estavam voltando ao normal. E, mesmo sem gostar de comparações, lembrou-se de uma fase ruim que enfrentara a poucos dias. Mas isso também é uma outra história, apesar acreditar que para existir história tem que existir verdade... Ao se lembrar, um misto de angústia, tristeza e decepção tentou tomar conta do seu momento e, por um microssegundo, aquilo quase atrapalhou o seu humor.
Ainda assim, sorriu.
Afinal, recordando um texto atribuído a Fernando Pessoa, o ciclo havia mudado e apesar de alguns sentimentos que ainda insistiam em sobreviver, ele estava certo de que não queria um dia voltar a viver coisas que lhe fizeram tão mal.
Jogando água no rosto, sorriu!
Colocando a roupa, ouviu com atenção um convite para voltar a noite.
Pensou e achou melhor dizer não. O não era para ele.
Buscando ser sincero, pediu para que as coisas continuassem a acontecer naturalmente, como na noite anterior. Sem convite. Sem hora marcada. Sem espera. Apenas vontade gêmea de ficar e não pensar em nada...
Insistindo, ela afirmou que sempre esperou por aquele momento. Vagarosamente, ele se dirigiu até ela e sentou-se ao seu lado, ainda na cama. Acariciando o seu rosto, passando vagarosamente os dedos sobre os lábios da menina ele respirou, sorriu e, olhando para aquele olhar sincero, explicou que momentos não foram feitos para se esperar e sim para serem aproveitados.
Assim, mesmo atrasados, aproveitaram aquele novo momento, decidindo deixar que o próximo, que certamente virá, aconteça... hoje ou amanhã, ou ainda hoje e amanhã... Juntos, sorriram.

4 comentários:

Anônimo disse...

Adorei.
Adorei a história.
Me fez sorrir de novo!
adoro vc, Paulo Fernando...


Izabella
*Não consegui comentar sem ser anonimo,desculpa

patricia disse...

deu pra imaginar cada detalhe, escreve muito bem , viu?
continue assim!!!
bjo.

Patrícia.

Flávia disse...

mt boooooooooooooom, como sempre, o texto do Fernando que eu te mandei HAHAHA (h)
gosteei mt s2

maria fernanda disse...

Parabéns, lindo texto. O Raul ia adorar
Abraços