Palavras soltas...

(...) "Tenho aprendido muitas coisas nos últimos tempos. Uma delas é que jamais podemos deixar para amanhã um gesto de carinho, um sorriso verdadeiro, uma declaração de amor."

Confira a crônica completa clicando aqui.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Quando se aprende a amar...

Como é que se diz: “eu te amo?”.É fácil.
Falar é muito fácil.
Mentir é muito fácil.
Estou aqui, me lembrando da música “Vamos fazer um filme” da Legião Urbana. A Legião do poeta Renato Russo, que no sábado, dia 27, completaria 50 anos de vida.
Na música, ele se fazia essa pergunta. Dá uma conferida, é legal.

Mas vamos ao assunto.
Dizer “eu te amo” é algo muito interessante.
É bonito.
Já cometi a leviandade de dizer “eu te amo” sem amar.
Menti.
Menti, inclusive, para mim mesmo.
Já disse “eu te amo” por tantos motivos, inclusive por não amar.
Eu já disse “eu te amo” para conquistar uma garota! Já disse “eu te amo” para me desculpar. E já disse por dizer, simplesmente porque sabia que quem ouviu gostaria de escutar... Errei.

Há alguns dias atrás, uma pessoa muito especial, me afirmou que ainda não aprendeu a dizer “eu te amo”.
Dizer “eu te amo” é muito mais do que proclamar uma simples frase.
Em primeiro lugar, deve ser feito com honestidade.
Sempre olhando nos olhos. Nos olhos da alma. E, olhando lá dentro, enxergando a pessoa com ela é, com todos os seus defeitos, qualidades e particularidades, proclamar o mais sublime dos sentimentos: o amor.

Não acredito, porém, que quem ainda não aprendeu a dizer, não ame.
Eu, por exemplo, nunca disse “eu te amo” para o meu pai. Mas eu o amo! Ainda há tempo, porém.

O barato disso tudo é aprender.
Todo mundo gosta de escutar um “eu te amo”.
Mas sem hipocrisias, por favor!
Se não ama, não precisa falar. É tipo comida, saca? Se não gosta de macarrão, não precisa comer. Mas se colocar no prato, faça o favor de não desperdiçar...
Então, se disser “eu te amo” para alguém, assuma o que está por vir após a declaração. Quem ouvir está no direito de acreditar, de não gostar, de adorar o que ouviu, de se assustar, de fugir..., de retribuir, de tentar retribuir.
Ou seja, não é uma simples frase! É mais.

Muitos dizem que mais do que aprender a dizer “eu te amo”, nós precisamos aprender a amar.
Amar não se aprende, meus caríssimos!
Ou se ama ou não se ama.
Amar é como respirar. Acontece naturalmente. Essa história de amor à primeira vista é um pouco exagerada, pra mim. Pois, a gente ama o que conhece. A gente ama aquilo que admira, aquilo que nos faz bem, aquilo que nos completa, aquilo que te cura a ferida, que te faz sorrir, que te faz amar. Logo, não há como amar o que nunca se viu, o que nunca se sentiu, o que nunca existiu em sua vida...

Amor, então, vem com a convivência.

Com o tempo e essa tal convivência você passa a amar. Com o tempo, talvez, você comece a amar aquela pessoa pela qual você tinha certeza de que jamais iria se apaixonar e se pega amando. Isso acontece porque, com o tempo, talvez, se perceba que esta pessoa te faça bem e que, no final das contas, te ame!
É melhor e mais natural amar o que nos faz bem. Amar o que nos faz mal é falta de amor próprio. Mas acontece.

Normalmente, se a pessoa com a qual você está te faz infeliz é porque não se está conseguindo, de fato, amar. Nem a pessoa e, talvez, nem você.
Se por um lado não acredito em amor à primeira vista, creio que a gente aprende, isso sim, a demonstrar esse amor. Como? Com gestos, na maioria das vezes, simples.
Como também cantou Renato Russo, “quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu”. Assim, se você ama mesmo, dificilmente fará a pessoa amada sofrer. Se seus defeitos superam seu grandioso amor está na hora de rever seus conceitos. E – é bom observar isso – se a pessoa que diz te amar, e que você acredita que o sentimento seja recíproco, te faz sofrer com frequencia, te decepciona sempre com os mesmos erros tolos – nunca aprende – está mais do que na hora de ambos reverem seus conceitos. Errar com quem a gente ama é supernomal e nos faz crescer, aprender. Mas ficar repetindo os mesmos erros com aqueles que dizemos amar é ausência de amor verdadeiro. Ora, se sabe que a pessoa vai sofrer com isso é gesto de amor mudar para não fazê-la triste.
O amor nos faz melhorar. Melhoramos por nós e por aqueles que amamos.

Amar é ser melhor para o ser amado. É querer, verdadeiramente, ser melhor.

Aí, num belo dia, após uma noite inesquecível, onde os seus corpos foram um só, entregues aos prazeres da carne, da alma e dos sentimentos, suados de tanto se amarem, você e essa pessoa acordam e a primeira frase dita é simples, mas, ao mesmo tempo, intensa, avassaladora, fantástica, capaz de tornar a manhã cinzenta e sem graça no mais belo dia do ano, da sua vida... A frase é um simples “Bom dia. Eu te amo”.

Com o tempo a gente aprende que dizer “eu te amo” é muito fácil. É só falar. Difícil é saber até que ponto estamos sendo verdadeiros com o outro e com a gente mesmo.
Com fogo, mar e amor não se brinca.
É isso.

5 comentários:

Flávia disse...

goostei muito, muito boom *-*

Juliana disse...

É fato, Paulo Borges: vc tem o dom da escrita! Poucas pessoas conseguem traduzir tão bem sentimentos em palavras. Texto lindo e tocante....

Izabella disse...

Paulo!
Seus textos encantam e, assim como vc, me encantam.
Parabéns pelo talento e pela reflexão.
Obrigada por tudo!

Beijo!

aline disse...

Bom adorei seu texto e realmente pude ver como vc sabe expressar um sentimento tao bem, pois tenho muita dificuldade quanto a isso mas depois de ler este texto pude ver que sempre que realmente amarmos uma pessoa devemos sim demostrar este sentimento afinal ele é o mais belo e puro sentimento que uma pessoa realmente pode sentir...
Adorei mesmo...
Bjos

Melissa disse...

A sua definição de quando se ama alguém de verdade é incrível. Ajudou-me muito. Obrigada, mesmo.