Palavras soltas...

(...) "Tenho aprendido muitas coisas nos últimos tempos. Uma delas é que jamais podemos deixar para amanhã um gesto de carinho, um sorriso verdadeiro, uma declaração de amor."

Confira a crônica completa clicando aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Trocas *


Éramos seis competidores. A corrida estava prestes a começar. Todos concentrados. A plateia não se calava. Torcia! E nós, atletas da tradicionalíssima corrida no saco, não contínhamos a adrenalina. Eu suava. O saco que eu utilizava era de batata. Pinicava! Mas, isso não poderia me abalar. Havia treinado durante todo o final de semana para esse dia. O dia em que eu venceria a corrida no saco, no educandário onde estudava. Olhei para um lado e para o outro e não a vi. Mas, sabia que ela estava ali. Ela sempre estava.
Após o apito, todos largaram. Cada um tentando pular mais rápido e distante do que o outro. Eram vinte e cinco metros de percurso. Aliás, vinte e cinco longuíssimos metros. Eu sabia que tinha condições de vencer. E venceria! Eis que olho para os lados e não vejo nenhum dos outros cinco “puladores”. Estava no papo, pensei comigo. Faltavam apenas alguns três ou quatro pulinhos e, enfim, a consagração.
Então, caí! Caí e fui para um dos piores lugares do mundo, para uma criança que queria vencer. Caí direto para a derrota.
Com a mão suja, o rosto sujo, até a língua suja, chorei. Raiva! Queria e precisava vencer. Levantei minha cabeça e, de repente, aquela mão veio de encontro à minha. Era tudo o que precisava. Era minha mãe! Ela sempre esteve e está comigo.
(...)

Acompanhando os jogos das categorias Infantil e Juniores da Liga Uberabense de Futebol, imagino que cada um dos atletas deve ter a mesma necessidade que eu tinha. A presença de alguém que, só de estar ali, dará uma força. Esse alguém, na maioria dos casos, são nossos pais.
Porém, fazendo as contas e olhando bem para as arquibancadas, percebo que nem todos esses atletas têm essa dádiva. Nem todos têm um pai berrando da arquibancada, gritando com o juiz por não ter marcado uma falta em cima do seu filho, ou simplesmente ali, quieto, torcendo, exercendo o seu papel de pai ou de mãe.
Para os filhos, os pais são heróis. Mais heróis do que o Homem Aranha ou o Batmam. Para os filhos, as mães são heroínas. Elas são tudo de bom. Nem a melhor receita do Programa da Ana Maria Braga compete com o arroz, feijão e bife da nossa mãe. Aliás, nada compete.

Por isso, penso que é tão importante essa presença. Acredito que não custa nada levantar no domingo de manhã, para ir ver o filho jogar futebol. É o sonho dele. E, na maioria das vezes, os sonhos dos pais têm muito valor para os seus filhos. Um exemplo: meu filho diz querer ser jornalista porque eu escolhi essa profissão. Se ele, hoje com cinco anos, diz isso para me agradar, só o tempo dirá. Mas, mesmo se ele diz para me agradar, isso é louvável. Então, por que não posso também fazer algo para agradá-lo, como ir assistir aos seus primeiros chutes na bola?
Isso é troca. E trocar amor é bom. Trocar presença é trocar amor.

Você, pai ou mãe, pode ir ao jogo com seu filho e, em troca, receberá um olhar de gratidão, que no fundo diz “que bom que você está aqui”.
Vai lá. Experimenta. Vocês vão gostar.
Aos filhos, um recado: chamem seus pais. Mostrem a eles que suas presenças são importantes, indispensáveis.
Aos pais, outro recado: torçam com limites. Se seu filho errar um gol, sorria para ele, ofereça-lhe apoio, dê força. Se o juiz errar, pode esbravejar, mas com limite, pois, com certeza, seu filho estará escutando tudo o que você diz.
No mais, sejam felizes e bom final de semana a todos!
(*) Originalmente publicada no Jornal da Manhã do dia 17 de abril de 2009

2 comentários:

Jaki disse...

arrepiei! uau!

Anônimo disse...

ruth contextual reject admin viuk triple modus locums wiley knowledge symbolic
semelokertes marchimundui