Palavras soltas...

(...) "Tenho aprendido muitas coisas nos últimos tempos. Uma delas é que jamais podemos deixar para amanhã um gesto de carinho, um sorriso verdadeiro, uma declaração de amor."

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Silêncio...


21 de junho.
Ao longo do tempo, muitos fatos históricos se deram nesta data. Muitas figuras históricas também nasceram neste dia. Foi no dia 21 de junho, por exemplo, que nasceu nosso escritor Machado de Assis. Para os franceses, a data é lembrada como o nascimento daquele que é considerado o maior jogador deles, em todos os tempos, Michel Platini. É no vigésimo primeiro dia do sexto mês do ano em que se comemora o dia internacional da música; a Igreja Católica celebra a memória de São Luiz Gonzaga, patrono da juventude. Para quem gosta de futebol: foi no dia 21 de junho de 1970, no México, que o Brasil conquistou o tricampeonato mundial, tornando-se o primeiro tricampeão do mundo e garantindo assim o direito de ficar para sempre com a Taça Jules Rimet.
No dia 21 de junho, tem-se a noite mais longa e o dia mais curto do hemisfério sul, onde está localizada nossa nação. É neste dia em que se tem o inicio do inverno, a estação do frio.
Foi em 21 de junho de 2009 que o mundo, através da velocidade da internet, presenciou a morte de uma voz. Uma voz que fazia parte de um coro. Um coro contra a injustiça. Neda Sultan, 27 anos, iraniana, estudante de filosofia, atingida no peito por uma bala disparada – não se sabe exatamente por quem – quando participava de um protesto contra o resultado da eleição presidencial daquele país.
O rosto ensanguentado da jovem foi mostrado em todo o Planeta. Seu sangue, pode motivar ainda mais a libertação das mulheres e de grande parcela dos cidadãos daquela nação. Porém, neste caso, a tirania teocrática, calou uma voz. Mais uma voz. Deplorável. Triste.
O nome da jovem significa “voz” ou “chamado” no idioma persa. Sim, uma jovem que estudava filosofia, ciência que estuda a razão, a sabedoria, buscando aprender a realidade em sua totalidade, foi morta por aqueles que parecem viver fora da nossa realidade. No lugar troca de ideias, como acontece nas grandes correntes filosóficas, uma troca injusta: um grito de socorro e de insatisfação é trocado, calado, por um tiro no peito. Silêncio.
Ainda não se sabe se o presidente “eleito” Mahmoud Ahmadinejad continuará no poder ou se a eleição será revista. O que se sabe, porém, é que gente inocente está morrendo por conta de um governo inescrupuloso e que não tem a menor noção do que é respeito à vida. Mártires morrem por uma causa apostando que esta causa prevalecerá - isto, sempre visando o bem comum: que assim seja com a "voz" de Neda Sultan.

Um comentário:

Marcio disse...

Silêncio é oração, silêncio é prece. Mas não estamos falando do silêncio da voz, e sim do silêncio do coração, quando entramos em contato com Deus. Este silêncio é puro amor.
Madre Tereza nos ensinou que não importa a quantidade de bons atos que pratiquemos, mas sim o quanto de amor colocamos em cada ato, em cada gesto.
Neda Sultan não morreu em vão. Morreu por amor a uma nação que vive em silêncio, talvez em prece, e cujo povo começa a se levantar pela primeira vez.
Parabéns pela análise.

Gennari