Palavras soltas...

(...) "Tenho aprendido muitas coisas nos últimos tempos. Uma delas é que jamais podemos deixar para amanhã um gesto de carinho, um sorriso verdadeiro, uma declaração de amor."

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sobre idas e vindas...


Com exceção de um papagaio que tive quando ainda era criança, eu nunca fui de prestar muita atenção em pássaros.
Mas, gosto quando eles cantam, brincam entre si e se acariciam com a ponta do bico. Adoro quando os pássaros voam...
Meu pai tinha um Canário Belga, mas eu o soltei por não achar correto que algum ser inocente passe a vida preso em uma gaiola. Até hoje ele não sabe que eu fiz isso.


Ah, sim, estou falando sobre os pássaros para contar sobre um Beija-flor que apareceu no meu quintal. Apesar de ser muito rápido, consigo observá-lo.
É lindo. Cheio de cores. Será que ficou tão colorido por se alimentar do néctar das flores?
Dadá Maravilha, folclórico jogador de futebol, dizia que só três coisas conseguem permanecer imóveis no ar. Ele – Dadá – o helicóptero e o Beija-Flor.
É verdade. O Beija-flor fica paradinho no ar, enquanto “beija” uma flor. Aliás, tudo para pra ver o Beija-flor parar, voar – ser Beija-flor! O tempo para quando passa o Beija-flor...
Eu fico parado, olhando o Beija-flor. Deitado na rede, eu o observo chegando e partindo sem ao menos perceber minha presença. Eu, por outro lado, pauso a leitura do jornal ou daquele livro que estou lendo.
Observando-o percebi que apesar de lindo, é triste o Beija-flor. A beleza externa, alcançada pela mistura inenarrável de cores e pela agilidade em voar e conquistar admiradores, contrasta com a triste realidade de não poder fazer outra coisa, senão beijar flores e voltar para sua prisão. Sim... Este Beija-flor, pelo que sei, vive preso.
Sua gaiola, não tem flor. Não tem jardim. Não tem alegria. Acho que não tem vida – a vida que ele só encontra aqui de fora, nos quintais e jardins alheios.
Vive triste, o Beija-flor.
Um Beija-flor sem flor.
Seu dono, descobri mais tarde, também acha lindo o Beija-flor. Por isso, e por medo de perdê-lo, vigia o passarinho.
O coíbe.
O proíbe.
Apesar de vir voar no meu quintal, o Beija-flor não se aproxima. Minto: uma vez ele veio até mim. Ficou ao meu lado e me percebi dentro dos seus olhos. Pedi em silêncio para que ele ficasse – ele foi embora e só voltou novamente por aqui para se alimentar do néctar das flores. Depois disso, ele não veio mais até mim.
Tem medo, o Beija-flor. (?)
É prisioneiro.
Da sua prisão, acredito que só ele possa se soltar ou, se escolher assim, pode para lá nunca mais voltar.
Mas, por que volta para a gaiola o Beija-flor? Gosta de ser preso ou tem medo de ser livre? (!)
Pode ser - e as vezes isso acontece - que o passarinho goste mesmo daquele que lhe prende...
Não sei.

Enquanto isso, enquanto ele não decide sua vida, beija flores e voa... voa para longe, para perto de mim ou para outros jardins onde encanta tanto como por aqui, mas sempre volta para aquele que diz por ele ter amor. Será que é amor o que sente aquele que prende o Beija-flor? Quem ama não impõe e sim conquista a presença do ser amado... (?)
Não entendo nada sobre o amor. E muito menos sobre o amor do Beija-flor. Aliás, seria tolice querer entender.
Eu, enquanto isso, o observo – o Beija-flor – no seu intenso bater asas e rotina de Beija-flor... quando ele vai embora, não sei se torço para que volte amanhã ou se desejo que ele não volte mais.
Para não ter que perdê-lo, acho que prefiro não tê-lo. É melhor, mais justo e natural, deixá-lo vir, voltar, voar...

3 comentários:

Anônimo disse...

um dia o beija flor se liberta, o que é tarde demais, afinal pode não saber se defender do mundo cruel, já que viveu tanto tempo preso em uma gaiola

Mônica disse...

O beija-flor volta porque ele voa pra tras! :) Brincadeira...

patricia disse...

ai que liiiiiiiiiiiiiindo!