Palavras soltas...

(...) "Tenho aprendido muitas coisas nos últimos tempos. Uma delas é que jamais podemos deixar para amanhã um gesto de carinho, um sorriso verdadeiro, uma declaração de amor."

Confira a crônica completa clicando aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pobres e pobrezas

Eis a vida...
É possível terminar um dia, um mês, um ano, arruinado financeiramente e começar um outro dia, mês ou ano, falido, em todos os sentidos. No entanto, nem tudo depende apenas das forças do destino – forças, que para muitos, nem influem sobre nossas vidas. A vida é resultado da prática de várias ações suas e alheias.

Na tarde de última quarta-feira, 30 de junho, dois homens, armados com um martelo – nota-se que uma ferramenta que pode construir casas também pode destruir negócios e vidas – entraram em uma joalheria na rua Artur Machado, centro de Uberaba, e anunciaram o assalto.
Assustados, a funcionária da loja e dois clientes que ali estavam fugiram para os fundos e nada viram, nem mesmo o rosto dos dois indivíduos.
Sozinho no estabelecimento, um dos ladrões quebrou a vitrine e fez um “limpa” no balcão, levando cerca de R$ 30 mil em jóias. Prejuízo para o proprietário. Susto para a funcionária. Trauma para os clientes, um casal que escolhia as alianças do noivado.
Com os bolsos literalmente cheios, os dois assaltantes fugiram em uma moto, tomando rumo desconhecido.
Eis que hoje, 1° de julho, inicio de mês e, talvez, inicio de uma nova etapa na vida de todos os envolvidos, o dono da loja contabilizava seus prejuízos, que iam desde o vidro quebrado da vitrine até a última tarraxa utilizada para prender os brincos na orelha. A funcionária, ainda assustada, procurava notas fiscais, telefones úteis e tentava se esquecer de tudo o que vivera ontem. Já o casal, este não os vi. Mas, provavelmente ainda não esqueceram o ocorrido. Desde ontem, a vida de todos eles fora marcada, juntamente com a vida de cada um dos assaltantes, que abonados, ainda decidem o que fazer com o dinheiro proveniente da venda das jóias.
Estela, uma mãe jovem, de apenas 29 anos e com três filhos, um de cinco anos, outro de quatro e o terceiro que ainda está em sua barriga, no sexto mês de gestação, passa na frente da loja, vê o movimento: homens de ternos, conversando ao celular, um carro importado com outro homem de terno e também conversando ao celular... logo, ela pensa: eles têm dinheiro e podem me ajudar!
Com um filho sofrendo de doença de pele, estranha e causadora de várias feridas em toda a extensão de seu corpo frágil e o outro mais “saudável”, (apenas) com o catarro descendo e subindo das narinas, ela pede, quase implorando, R$ 1 para comprar leite.
“Estamos pobres como você, minha filha!” – responde um senhor.
Resta saber de qual pobreza estamos falando aqui...

4 comentários:

Maria Fernanda disse...

Muito bonito o layout do seu blog, parabéns pela iniciativa. Depois com tempo vou ler suas mensagens e comentar. Abraços

André Azevedo da Fonseca disse...

Excelente texto, Paulo. Na linha do Marcos Faerman (você já leu? De não, deve ler). Você mostrou, na prática, como a crônica policial pode conquistar maior qualidade! Bom trabalho.

Gabriela Brito disse...

Adorei Paulo!!!!!!!
É incrível como em segundos nossa vida pode tomar um rumo completamente diferente.... Adorei o desfecho do texto! Parabéns! beijos

Marilia Cândido disse...

Ótimas observações Paulo! Pensei em indicar a leitura de Marcos Faerman, mas o André já fez isso.